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VIAGENS DE ANTONIO MIRANDA PELO BRASIL
 


TEMORES URBANOS
06-02-1993


Todo mundo que eu conheço tem histórias de roubos e assaltos para contar.

As grandes cidades brasileiras —  Brasília não escapa à regra — vivem sitiadas por marginais, as ruas invadidas por mendigos e desempregados, e as praças com crianças abandonadas.
A situação tem piorado muito nos últimos anos, principalmente no desgoverno Collor (o que se auto-proclamava “caçador de marajás” e “protetor dos descamisados” e acabou caçado por corrupto e deixou os pobres na condição de miseráveis).
A recessão brasileira, a estagflação, o desemprego se a incitação ao consumo e à violência feita pelos meios de comunicação de massas são os fermentos naturais de um crise social generalizada.

Na prática, já estaríamos vivendo uma guerra civil em que os que possuem alguma coisa são as vítimas naturais da violência, do assalto, do roubo. Não necessariamente os mais ricos [que vivem refugiados em bunkers, cercados de muros, grades, protegidos por guardas e alarmes, temerosos de seqüestros], mas também a classe média e até os pobres...

É difícil acreditar que a causa de violência seja apenas atribuível à pobreza ou à miséria. Se assim fora, as regiões mais perigosas do Brasil seriam as do sertão nordestino e suas capitais.

 

A questão parece ser muito mais complexa e involucrar a crise de valores morais e culturais em que mergulhou a sociedade brasileira. Vivemos a ilusão de uma casta do Primeiro Mundo inserida nas mazelas e sequelas do Terceiro Mundo, onde uma espécie de  apartheid tupiniquim, onde uma minoria ostenta hábitos de consumo que contrastam com a realidade cruel das maiorias.

E não temos aqui os fatores de repressão e inibição  dos despossuídos— a religião e seus sistemas de valores espirituais conformistas, nem o aparato policial repressor, como em países a exemplo da Índia, para minimizar os conflitos sociais.
Nas novelas da Globo, o exemplo é o da família consumista, galgando posições a qualquer preço, pela esperteza ou perversão.

Óbvio que não é censurando as novelas da Globo que iremos resolver o problema. Nem tampouco criando e ampliando poderes ilimitados para as forças policiais.

Certo que a televisão poderia ter um código de ética mais positivo e fomentar ideais e exemplos mais edificantes,
mas tal orientação só teria sentido se a política governamental também estivesse direcionada para a elevação da qualidade de vida de nossa gente.

Enquanto isso não acontece — o Presidente Itamar Franco, como o José Sarney, vem acenando com medidas assistencialistas e populistas que ainda não provaram sua capacidade para reverter o atual quadro de desagregação social — continuaremos dominados pelo medo.

O Jaime Robredo, meu colega da Universidade de Brasília, já teve a sua chácara roubada três vezes, e nas três oportunidades (?!?!?!) ampliou as medidas de proteção, tais como grades e cães de guarda, sem os resultados almejados.

A Catarina Kniychala, outra colega da Universidade de Brasília teve todos os seus bens roubados na sua casa, nas proximidades de Valparaíso, próxima à BR-040. Levaram móveis, talheres, aparelhos eletrodomésticos e até maçanetas, pias e o violino da filha. Posso imaginar a depressão e a angústia que ela sentiu diante da casa vazia! O caseiro jurou que nem ouviu o barulho dos ladrões, vivendo em sua casa próxima ao acontecimento... Ou estava fora, o que é mais provável, ou participou do crime (o menos provável..).

Agora chega a notícia de que roubaram a chácara do Marechal Aloísio e da esposa Madelaine, lá em Itaipava [bairro do Rio de Janeiro].

 

 www.absolutaimoveis.net/blog-imobiliario/quais-as-vantagens-de-morar-em-um-condominio-fechado


À medida que surgem novos casebres e barracos no loteamento Morada da Serra (em Águas Lindas, Goiás), onde eu construí minha casa de campo,  fico mais preocupado. O adensamento demográfico e o quadro de carências criam as condições para aumentar o
risco de roubos e até de assaltos.

Reforçamento de portas e janelas, cães de guarda e até revolver minimizam os riscos, mas não são capazes para deter os ladrões bem equipados e experientes, nem os assaltantes bem armados.
Às vezes pergunto-me se não estou indo contra a corrente, os ricos estão fugindo da periferia para edifícios enormes urbanos, até mesmo em áreas de condomínios, enquanto eu continuo investindo na minha chácara nos arredores do Distrito Federal, em Goiás, tornando-a mais cobiçável e vulnerável.

 

 

 
 
 
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